Eu às vezes fico imaginando
Fico vendo as cores pelo ar
E eu ouço o som da primavera
Observo a fase do luar
Eu ouço o som da rosa, rosa
Ouço a cor do seu cantar
Eu vejo as notas, notas
Que passeiam soltas na minha frente
Será que é porque sou diferente?
Pois essa coisa não sei explicar
Será que é assim tão diferente
Ouvir as flores e cores cantar?
Eu às vezes fico imaginando
Cada coisa e o seu lugar
Pois as flautas são o som das fadas
Prateadas como o luar
Oboés, flautins e clarinetes
Tem o som azul claro e verde
Harpas, alaúdes e o cantar
São os sons do elemento ar
A madeira é elemento fogo
Cordas friccionadas são de lá
Arcos dançam e soltam faíscas
É o que eu vejo além de escutar
Saxofones são iguais aos sapos
Eles cantam em um coaxar
Se você não entende o que eu falo
Pede pro barítono mostrar
Mas os sapos precisam de um lago
E por isso o piano está lá
Os seus graves são as profundezas
Os agudos, gotas de chorar
Os trompetes, trombones e trompas
Acauã, narcejas e gralhões
E lembrando do elemento terra
Tem o tímpano, as percussões
Todos eu chamo agora
Ouçam minha voz chamar
Pois a estação é nova
E o povo quer dançar
As donzelas colheram flores
Os homens foram caçar
Quando o Sol e a Lua se casam
Todo bardo vem tocar
E eu que sou só uma donzela
Estou aprendendo onde é o meu lugar
Canto porque é o que eu tenho
E invento as canções pro povo cantar
Canto e teço o meu destino
No caminho de estrelas e corais
Meu cantar não é sozinho
Ele tem a força dos meus ancestrais
Fadas e cordas e lendas
Seres da floresta
São os ancestrais
Venham, peguem suas prendas
Vamos na floresta
Ver os ancestrais
Fadas e cordas e lendas
Povo da floresta
São os ancestrais
Fadas e cordas e lendas
Seres da floresta
São os ancestrais
Créditos
Violão principal e vozFlora Eça
VioloncelosKayami Satomi
Viola caipira e Rabeca DamianaRodrigo Bis
Piano, PalmasMárcio Pombo
Violão Nylon, PalmasBernardo Brandão
Dundum, Derbak e CarrilhãoEber de Freitas
ArranjoFlora Eça, Kayami Satomi, Eber de Freitas, Rodrigo Bis, Márcio Pombo e Bernardo Brandão
